Entre sem bater. 

domingo, 29 de janeiro de 2012

SP

   Dos arranha-céus, das multidões, do barulho, trânsito. Minha Chicago, como eu, paulistano, posso gostar de você? Cidade dos problemas, da garoa insuportável, das chuvas e alagamentos. Só sei que gosto, apaixono-me pelo seu cinza e suas cores, quando lembra, ou quando esquece, do seu verde, azul e amarelo.
   Cidade do preconceito de areia, quer ser concreto, mas quem te fez veste qualquer cor, produz e reproduz qualquer sotaque. São Paulo que ainda não aprendeu a ser e a gostar de São João, de Francisco, até mesmo de São Sebastião, mas certamente já aprendeu a ser mutante, ainda que goste das pessoas na sala de jantar.
   Grande, arrogante. Menos vital que os seus pensam que ela é. Mais importante do que deveria ser. De qualquer forma, cabe no meu coração, não sei porquê, se é como doença, paixão, se é inevitável, mas lá está, nunca adormecida.

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sábado, 10 de dezembro de 2011

Natal

Chore, pequena. Somos tirados de onde queríamos ficar para sempre e colocados aqui. Com tantos de nós, nos acostumamos e fingimos agir naturalmente.
Estou muito cansado para entender porquê isso funciona assim, vou existindo até minha alma acender. Ela lampeja e diverge, difrata, reflete. Eu te daria tudo por um pouco de paz interior, paz de espírito, cerebral.
De qualquer forma, preciso conviver com esta arma quente, a felicidade aparece às vezes, me manda ficar onde estou. Eu preciso de um conserto, pois estou morrendo.
Ainda bem que tenho você.

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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Sei...

Algumas pessoas que conheciam o quão minúsculos e defeituosos eram, acabaram se tornando cientistas e filósofos reconhecidos e importantes para a história do homem na Terra, tornando-se então um pouco menos minúsculo, e assim, conseguindo viver, ao  menos minimamente, mais equilibrado com o seu eu. Mas o que acontece com aqueles que são e sabem que são pequenos e inúteis por toda a vida? Não me pergunto por mim, não sei dizer se realmente tenho consciência tão precisa sobre essa escala, mas apostaria que muitas pessoas passam por toda a vida assim, e que muitas outras nem suportam vivê-las por muito tempo dessa forma. Deve ser muito ruim.

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Meu espectro

Ouço um senhor com nome de governador.
Lápis e rabiscos, minha mente aos cochichos,
Com um coração cheio de saudade.

De repente, fiz viadutos e torres,
Sinto finalmente, sem dores.
Ela só me traz alegria.

Queria saber rimar pra mostrar o que eu faço por você, queria saber cantar pra convencer você. De qualquer forma dou todo meu coração, não é grande coisa, verdade, mas é o que tenho pra lhe oferecer. Desculpa por não ser poeta, mas se acostume, pra esse rosto, com sobrancelhas grossas, nariz moderadamente grande e seu sorriso, você olhará por infinitos anos. Na aula de Limite não consigo pensar em outra coisa.

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domingo, 22 de maio de 2011

Um qualquer menino.

  A estrada segue seu caminho com uma certeza que só ela pode possuir, ser errante é fácil, por cima de solo tão preciso. As gaivotas continuarão a sua espera mas se quiserem podem esperar lá no final da estrada, até porque só você enxerga as alternativas, erradas, de fato, mas irão ao menos lhe salvar delas. Das gaivotas.

  Um menino atravessa a rua para comprar um doce, um pipa desvia seu olhar e o faz parar, rua calma, pega o pipa e termina o que ia fazer, duas balas por dez centavos. Aproveita para comprar uma rabiola e um carretel de linha. Como apenas alguns mágicos da idade dele conseguem fazer, recoloca rapidamente a pipa no lugar de onde nunca deveria ter saído, dois minutos depois perde seu achado e volta para casa chupando as suas balas, já sabendo da bronca que ganharia por ter gasto mais dinheiro do que deveria. Por sorte, antes de sua mãe quem aparece é o pai, quando a dona pergunta do troco, o senhor dá um jeito de despistá-la. O menino volta a seu quarto para olhar pela janela, seu pipa já está novamente nos céus, junto com tantos outros, junto com o sol, as nuvens, o avião, os balões, as estrelas, o rinoceronte, o leão e o macaco... Jurava ter visto também um urso.
  
  O sol forte incomoda os seus olhos claros, mas esperava seus amigos, de preferência que estivessem na companhia de uma bola de futebol. Pois então eles passaram.

  Apesar da dor de cabeça que sempre o acompanhava quando ia brincar acompanhado de um inferno no céu, não tinha outra alternativa a não ser correr por aquela quadra atrás de uma bola. Não tinha a habilidade de alguns de seus amigos, bem verdade, mas se esforçava bastante, ria bastante. Passado algumas horas e feito alguns cinco gols, sua mãe aparecera. De volta em casa, após o banho, divertia-se com a miniatura de um avião, voava pra todos os lados com ele, morria de medo de entrar em um avião de verdade. Quando viu, já era hora de beijar seus pais para poder dormir.

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