Entre sem bater. 

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Grande dica

  Ano passado eu assistia aula no lado de três das pessoas mais incríveis que eu já conheci. E conhecia faz tempo e, depois desse tempo todo, ano passado vivemos a despedida de uma sala de aula com os quatro unidos. O que parecia o fim, não foi tanto. O pequeno, que ia para mais longe, sempre fez questão de estar por perto. Os outros dois estavam vivendo, talvez não na mesma intensidade, a mesma coisa que eu. Estavam ali. Uma pena não ter mais assistido aula com o maior deles. Faz falta rir com ele, dele e ser motivo da risada (e da piada) dele. Apesar que fiquei sabendo que mesmo sem minha presença, minha cabeça vira motivo de piada. Não tem como não gostar ao menos um pouco da lembrança.

  O outro, o vagabundo, estava um pouco mais presente. A nega. Apesar das idas do coração, marcamos muitas vezes durante o ano de nos vermos e nessa última semana do ano, revivi uma das coisas mais preciosas que levo das minhas duas primeiras e incompletas décadas: a companhia e a risada de um amigo. O décimo ano seria o último, mas como ele foi vivido em tempo integral, essa hora extra que fizemos essa semana nos deu direito a um décimo primeiro ano de sala de aula juntos. Assistir aula ao lado dele é estranho, começando que dificulta o processo de assistir a aula.

  A verdade é que muito provavelmente não nos encontraremos mais em uma sala de aula, principalmente se pensar nos quatro juntos. Eu não imagino vivendo algo tão especial e único novamente, teremos ainda por muito tempo uns aos outros e provavelmente terão outros ciclos que começarão e terminarão, mas o de assistir aula com eles, ao fim desse ano posso dizer que, quase com uma infeliz certeza, acabou. O palhaço do circo, o espetáculo Caio vs. Pamela, a estranha e inexplicável simpatia de professores e colegas por aquele velho tarado, os meus draminhas e minhas novelinhas amorosas, o talk show do Arthur, a dupla que fazia macumba no meio da sala, os melhores videos que a humanidade já produziu, e muitas outras coisas ficam na minha sortuda memória.


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domingo, 19 de dezembro de 2010

Alegria, sempre.

  Nas aulas de geometria, meu professor se afastava da lousa e sempre nos dizia, com aquele tom infantil que tinha em sua voz, infantil e humilde, além de inteligente, que o afastar ajuda a enxergar o desenho de uma forma melhor, a enxergar a dimensão e as possíveis conclusões que se poderia tirar daquela figura. Assim como um afastar de um planeta, com ela também é assim, de perto já se percebe que se trata de algo diferente, misterioso e melhor, mas afastado se encontra a perfeição.

  Seu sorriso é lindo de perto, mas de longe se percebe o brilho, como uma estrela. Sua voz é a calmaria, ou mesmo o riso, a  distância da sua voz é o desespero, é como se o divino de repente não existisse, um religioso sem a sua proteção. Seu toque traz felicidade, mais calmaria e calor, a falta dele mostra a infeliz realidade. Vê-la de longe e poder tê-la por perto, meu anjo radiante que sempre me mostrará o caminho, todos os dias.

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domingo, 14 de novembro de 2010

Parou faz uns quinhentos anos.

Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára.

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Foice.

  Roberto acordou cedo para mais um dia de trabalho, foi direto para o banheiro, chuveiro. Cabeça, braços, tronco, enxagua, cintura para baixo, enxagua. Seus vinte e um anos pareciam muito mais que isso. Era um dos muitos tipos brasileiros: ligeiramente alto, branco, mas a essa altura não tão branco, rosto europeu, com aquele traço de índio. Seu chefe estaria no trabalho hoje, gosta muito dele e precisava muito conversar, não conseguia mais manter aquilo dentro de sua cabeça.

   Chegou no horário de sempre e foi direto falar.
 - Não aguento mais Luís. Nasci num mundo que adora meu estereótipo. Fui feito para trabalhar, desde pequeno, otimizar meu tempo parecia a coisa mais óbvia e necessária a se fazer, sempre tentei tratar o mundo a minha volta com coerência e infelizmente fui gostar dessas coisas do mundo moderno daqui do trabalho, a tecnologia é deslumbrante.
 - Não entendo você, Roberto, sempre foi realmente um excelente funcionário aqui, nunca vi alguém subir de cargo tão rápido, mas isso parece ser um problema, o que foi?
 - Acontece que não quero viver assim. Trabalho, vivo meus horários no ritmo de um computador, para ter um salário que me permita alguma tranquilidade e, apesar desse sistema, tenho que viver num mundo cheio de pessoas que não possuem o direito de sentir o mínimo de felicidade, satisfação, prazer. - Luís foi pegar um copo de água, ouvia Roberto atentamente, que continuou.
 - Esse sacrifício, se ao menos possuísse algum objetivo, mas qual é o objetivo? Desenvolvimento? Não preciso dele. Sou um admirador da tecnologia em minha volta, mas esse mundo não faz sentido. Obrigado pelas sensações, mas chega. Destruam essas malditas cidades, vamos viver num campo onde tudo é de todos, construamos nossos lares, de madeira, tijolo, o que for, plantemos nossa comida, e nos preocupamos com isso e pronto. Claro que eu queria um computador com internet na casa de cada um, a cultura continua sendo o legado mais precioso e fascinante do homem, deixe-me ver as obras musicais, literárias, artísticas das pessoas em volta do mundo e basta. Se eu quiser visitar alguém, que seja de cavalo, não quero ver mais um maldito carro na minha frente, não aguento mais esse sistema, ele é sujo Luís. Ele depende do nosso sacrifício, eu tenho menos de 100 anos para viver nesse lugar que é capaz de despertar algum sentimento interessante em mim, por que eu preciso gastar meu tempo com isso? Eu não aguento mais.

  Luís que prestava atenção em cada palavra, esperou o final e deu um forte abraço em Roberto, que com os olhos molhados e o coração acelerado retribuiu o abraço. Luís olhou bem por alguns instantes para Roberto e falou.
 - Você percebe o problema nas suas palavras, não percebe Roberto? A distância do que você diz da realidade, o que podemos fazer? Eu conheço você, sei que sabe das milhares de imperfeições nas suas ideias, no seu pensamento, não sabe?
  Roberto concordou com um aceno discreto e lento de sua cabeça.
 - Por que não me mato então? Por que permito passar por isso?
 - Como pode um jovem como você, tão adaptado a esse mundo pensar em se matar?
 - Não queria ser adaptado, queria apenas viver e aproveitar meu tempo aqui. Poder fazer minhas escolhas, qualquer uma delas.

  Luís permaneceu em silêncio e Roberto foi embora para sua casa. Sabia que ainda teria seu emprego quando voltasse amanhã ou depois, mas nem pensava nisso, nesse momento só pensava no Universo e na sua imensidão descoberta, lembrando que ainda existia aquela que não conhecemos, distraia sua cabeça com esse pensamento fascinante para esquecer da sua vida.

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Three to get ready

  A tranquilidade de uma alma vale mais do que qualquer estímulo, a felicidade de um corpo, a leveza de um ser. Como aguentar a vida se não aguentamos nossa própria consciência? Questionamentos desnecessários nos levam a pensamentos desnecessários. Desnecessário para quem, por quê? A dificuldade de existir não precisava de mais nada, mas ainda temos a sociedade e todos seus problemas. Que merda, que merda de parágrafo.

  Essa sociedade nos vicia de certa forma. O que sou eu sem os físicos, engenheiros, filósofos, escritores, um mundo instigante foi criado em cima da lamentação do homem, porém junto aparece problemas de todos os tipos, financeiro, social... Ai não se pode aproveitar parte boa da criação do homem.

  Não sei do que estou falando mais.

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