Entre sem bater. 

sábado, 25 de julho de 2020

Paralelas

Acordei com um fio de cabelo seu grudado no meu rosto.
Acordei com cabelos por toda a minha casa.
Minha casa está cheia de cabelo, pelo, amor, sorriso e alegria.
Acordei com o seu sorriso gravado no meu. Com seus olhos lindos, grandes e amorosos colados no meu coração.

No corcovado, quem abre os braços sou eu.


domingo, 8 de dezembro de 2019

Sobre as ondas do mar

O chiado da água na areia. Praia. A onda chia muito alto, é o único som tarde da noite. O tempo é quente, a cama macia, o céu é praia, juntos no infinito.

De repente, mais um som. Como se também batesse na terra com a mesma força que a onda lá embaixo, aqui ouço minha respiração. Com a mesma força, o mesmo ritmo, o mesmo grito.

Preciso me acostumar... Todo dia a onda bate e faz barulho, todo dia, o tempo todo... Ele (o chiado) também é belo, acalma, amansa, abraça. A natureza te convida pra respirar e se acalmar com ela. Chiando, chiando, chiando... Vou ficar por aqui.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Seu reflexo.

Na minha cultura, é normal casais irem garimpar juntos, então partimos para a mina, eu e ela, apesar de acabarmos de nos conhecer.
Entramos numa mina desconhecida, escura, acho que fomos os primeiros. Não andamos muito e encontramos uma pedra, uma rocha gigante, do nosso tamanho, do meu tamanho. Com uma cor diferente, esverdeada, estávamos certos do que era aquilo, um diamante. Enorme. Ela estava bem presa no restante da caverna, teríamos que praticamente lapidá-la por inteira para tirá-la dali.
Pois então começamos, e logo de início já era possível perceber, então comentei:

- Como brilha. - ela então:
- Mas ainda nem chegamos no diamante, isso aqui é só a rocha... Ela é diferente, consigo me ver um pouco nela.
- Mas brilha... Muito...
- Não enxergo...

E eu via aquele brilho refletir cada vez mais, mas brilhava muito intensamente desde o começo. Toda a caverna estava brilhando.

O seu brilho faz toda a minha caverna brilhar, pequenina.
Agora é só continuarmos lapidando, juntos.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Viver de luz

  Então eu respirei. Bem fundo. Para inspirar foi necessário coragem, já que não o fazia assim há muito tempo. Para expirar, uma mistura. Dor, angústia e alívio. Talvez seja só a gripe tornando tudo mais dramático, ainda assim foi só agora que respirei.
  Minhas raízes estão apodrecidas, só não morri porque estão cuidando do jardim. É demorado e difícil criar novas raízes, meus jardineiros e jardineiras são tão amáveis que muitas vezes esqueço que eles podem ir embora, ou talvez a vida não precise continuar sem ter quem regue-a. O xilema me manda fazer raízes, o floema manda me preocupar apenas com as flores.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

56 Kbps

"  Sou viciado em computador. Principalmente na Internet. Ainda mais em salas de bate-papo. Fico muito louco quando estou no pique e alguém pega o telefone e desconecta tudo. Fico doido. Mas minha mãe não consegue entender que essas trocas de e-mail e mais esses bate-papos fazem bem pra gente. Cultura informatizada, mãe. Papo de net, netfriends, essas coisas.
  Se você quiser um amigo nos bate-papos da Internet, pode ser que encontre um legal. Pode ser também que a gente se encontre por lá! "


Contra-capa de "romeu@julieta.com.br", Telma Guimarães. Editora Saraiva, Coleção Jabuti, 1998.